DICAS PARA ARRASAR NA REDAÇÃO DO ENEM

E se o tema da Redação fosse relacionado com a desigualdade de gênero? Você iria encontrar a difícil tarefa de redigir um texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa, abordando esse tema de forma coesa e coerente. Difícil, porém é possível! Aqui iremos apresentar algumas dicas que podem te ajudar na construção de um texto rico. O tema assimetria de gênero tornou-se parte estrutural da cultura brasileira, muitas pessoas tratam a questão como normal e não problemática. A discussão acerca do assunto é recorrente e é provável que apareça na redação e nas questões do exame.

  • Primeiramente, você deve dominar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Listaremos alguns links que podem te auxiliar na jornada rumo à nota 1000.
  • É importante que o aluno leia atentamente os textos norteadores e tenha uma ideia geral sobre a proposta do texto. Se organize e planeje o que você irá escrever.

Apresentaremos algumas informações que podem enriquecer as linhas de seu texto:

DADOS QUE PODEM EMBASAR SEUS ARGUMENTOS:

  • Segundo o Fórum Econômico Mundial que analisa a igualdade entre homens e mulheres em 144 países no ano de 2017 o Brasil ocupava a 90º posição caindo 11 posições após 10 anos de avanço. Observa-se retrocesso após um período de conquistas que são fruto de lutas sociais feministas.
  • O Brasil é marcado pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, nessas condições é comum o feminicídio, nome dado ao assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Em 2016, 4,6 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, uma média de 12 homicídios por dia, segundo Atlas da violência 2017. É inaceitável que qualquer ser humano sofra algum tipo de violência devido ao seu gênero. O governo deve intervir com medidas para a diminuição desses índices assustadores de violência.
  • A sociedade apresenta comportamentos sutis ou explícitos que silenciam a violência sexual contra a mulher. O Brasil registrou 49,5 mil estupros em 2016, uma média de 135 casos por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esse crime é decorrente da percepção machista da mulher como um objeto passível de ser controlado.
  • O assédio esta muito presente no Brasil, segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 40% das entrevistadas disseram ter sido vítima de assédio, como comentários desrespeitosos ou cantadas na rua ou no trabalho. Cantada não é um elogio e na maioria dos casos pode ser compreendida como agressão.
  • As mulheres apresentam baixa representação política que é majoritariamente ocupada por homens. Cerca de 52% do eleitorado brasileiro é composto por mulheres, mas elas ocupam apenas 10% e 16% respectivamente, das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e dos 81 dos acentos do Senado Federal.
  • Em média os homens separam 10,5 horas semanais aos cuidados domésticos, as mulheres dedicam 18,1 horas essa atividade. As mulheres em muitos casos estão no mercado de trabalho e ainda são responsáveis pelos cuidados domésticos.
  • De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nível de escolaridade da mulher é maior que o do homem em todas as etapas de estudos e em todas as faixas etárias. Entretanto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, as mulheres recebem em média, 23,9% a menos que os homens. As mulheres ocupam apenas 37% dos cargos de direção e gerência. Nos comitês executivos de grandes empresas, elas são apenas 10%.

CITAÇÕES DE AUTORIDADES NO ASSUNTO:

Simone de Beauvoir (escritora, ativista política e feminista francesa):

  • “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separa do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.”
  • “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.”
  • “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.”

Chimamanda Ngozi Adichie (escritora nigeriana):

  • “Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece.”
  • “O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos.”
  • “A meu ver, feminista é o homem ou mulher que diz: Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar.”

Emma Watson (atriz e embaixadora da ONU Mulheres, nomeada em 2014):

  • “O feminismo é dar escolha às mulheres. Não é uma vara com a qual você deve bater nas mulheres. É liberdade, libertação, igualdade.”
  • “Se não se obriga um homem a acreditar que precisa ser agressivo, a mulher não será submissa. Se não ensina a um homem que tem de ser controlador, a mulher não será controlada. ”
  • “Mereço o mesmo respeito que homem, mas, lamentavelmente, não existe um país no mundo no qual todas as mulheres recebam esses direitos.”

Malala Yousafzai (jovem paquistanesa):

  • “A educação é o poder das mulheres.”
  • “Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados.”

ALUSÕES HISTÓRICAS:

São inúmeras as alusões que podem ser utilizadas, ex.:

Revolução industrial: mulheres recebiam metade do salário de um homem.

Constituição federal de 1988: todos são iguais perante a lei e tem direito à igualdade, sem distinção de qualquer natureza.

Segunda Guerra Mundial: emancipação feminina: mulheres passavam a trabalhar nas fábricas porque seus maridos iam para a guerra.

Movimentos feministas: luta pelo direito do divórcio, aborto…

  • Desenvolvimento da pílula anticoncepcional em 1956 que facilitou a emancipação feminina e o empoderamento com o próprio corpo.
  • Desde a literatura barroca, século XXII, a figura feminina foi edificada quanto a um instrumento de sedução, na poesia ‘’À mesma Dona Ângela’’, o autor Gregório de Matos se refere a elas “Sois anjo, que me tenta e não me guarda”, “se a beleza hei de ver para matar-me com o pecado, antes olhos cegueis”.
  • Arlequina e Coringa: romantização da agressão.
  • Lei Maria da Penha.
  • Instauração do voto feminino em 1953 por Getúlio Vargas.
  • Mutilação da genital feminina durante ditadura militar e ainda acontece em países da África e do Oriente Médio.

Fonte de pesquisa, dicionário de alusões:

DICAS DE FILMES:

  • O sorriso de Mona lisa;
  • As sufragistas;
  • Preciosa;
  • Valente;
  • Frida;
  • A cor púrpura;
  • Tomboy;
  • Minha vida em cor de rosa.

DICAS DE MÚSICAS:

Muitas músicas brasileiras reforçam a cultura machista e o patriarcado. Para identificar algumas letras você pode visitar o site:

MMPB Música Machista Popular Brasileira

http://mmpb.com.br/

COMO MITIGAR AS ASSIMETRIAS ENTRE OS HOMENS E AS MULHERES:

As mulheres conquistaram espaços sociais, profissionais, culturais políticos que tradicionalmente eram reservados apenas aos homens. Porém, as mudanças culturais dos papéis sociais de homens e mulheres são lentas e não acompanham a transformação social que a mulher teve nas últimas décadas. Existe ainda um grande caminho a ser percorrido para a almejada igualdade entre gêneros.

NOSSA DICA É APOSTAR NA EDUCAÇÃO

A educação pode auxiliar na construção de uma sociedade marcada pela igualdade, disciplinas como a História são essenciais para a formação de um sujeito crítico e por meio dela podemos entender os mecanismos impulsores da desigualdade. Segundo Vianna (2015, p.3) a escola é “uma das instituições importantes de seleção, veiculação, reconhecimento ou negação de direitos”, um ambiente propício para “discutir e desconstruir os princípios hegemônicos que produzem as desigualdades/inferioridades e estereótipos” (RODRIGUES; BARRETO, 2013, p. 170).

Atenção! Você deve defender o seu ponto de vista, sem ferir os direitos humanos.

Esperamos que as dicas tenham sido úteis e que você arrase na redação.

MULHERES MARCANTES: protagonismo na luta para transformação de sua própria condição social

A desigualdade pode ser representada por um imenso abismo entre pessoas com características distintas. O tempo torna cada vez maior esse abismo de separação entre pessoas, gerando discriminação, preconceito e grande discrepância econômica entre cidadãos. As assimetrias de gênero nas relações de poder perpassam por diversas gerações definindo os papéis de cada gênero na sociedade e, como consequências ainda hoje existem alguns resquícios dessa definição machista e patriarcal. Entretanto, o movimento feminista luta contra a violência de gênero e busca promover a igualdade de direitos e condições sociais entre homens e mulheres. O movimento apresenta diversas personalidades extremamente marcantes, mulheres que desconstroem o patriarcado e tornam a sociedade mais harmônica e justa. Aqui vamos destacar algumas mulheres que através de suas lutas tornaram-se pontes, que diminuíram a grande distância entre gêneros no abismo social.

Simone de Beauvoir (1908-1986): “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”. Foi escritora, filósofa, memorialista e personalidade da pauta feminista. Representante do pensamento existencialista francês e ligada a diversos movimentos sociais. Realizou viagens para diversos países, entre eles, China (1955), Cuba e Brasil (1960) e União Soviética. Em 1971, assumiu a direção da revista política, literária e filosófica de extrema esquerda, “Les Temps Modernes”. Escreveu diversas obras literárias, as principais são:

  • A Convidada (1943);
  • O Sangue dos Outros (1945);
  • O Segundo Sexo (1949);
  • Os Mandarins (1954);
  • Memórias de uma moça bem-comportada (1958);
  • A Mulher Desiludida (1967).

Uma de suas principais teses era a de a inserção da mulher no mundo do trabalho diminuiria a distância entre o homem e a mulher. Ela dedicou-se a luta contra o sistema patriarcal e buscou afirmar a liberdade e independência feminina.

Eva Perón (1919-1952): a mulher que abriu as portas da política às mulheres da argentina. Primeira-dama da Argentina durante o primeiro mandato do presidente Juan Domingo Perón. Assumiu a Secretaria do Trabalho e criou a Fundação Eva Perón, trabalhando na proteção de crianças, mulheres e idosos. Em 1949, fundou o Partido Peronista Feminino e promoveu a melhor integração da mulher no mercado de trabalho. Eva faleceu em Buenos Aires, Argentina, no dia 26 de julho de 1952. Sua trajetória foi marcada por intervenções que possibilitaram melhores condições de vida para as pessoas e principalmente paras as mulheres argentinas.

Amelia Jenks Bloomer (1818 – 1894): ativista do direito das mulheres e ficou conhecida por introduzir o uso de calças no vestuário feminino. As mulheres da época já trabalhavam em fábricas e no campo, mas o vestuário era composto por saias e vestidos. Isso não agradava Bloomer e outras militantes, pois o traje feminino não era adequado aos novos desejos e necessidades. Elas queriam usar calças, peça que diferenciava homens de mulheres. Foi pioneira na iniciativa do questionamento sobre a condição social feminina e primeira mulher a possuir, operar e editar um veículo de notícias para mulheres.

Amelia Jenks Bloomer
https://ohiohistorycentral.org/w/Amelia_J._Bloomer

Maria da Penha: representou a luta contra a violência física e psicológica sofrida por mulheres. É uma cearense formada em farmácia, mãe de três filhos e hoje é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres. Sua história é marcada por agressões de seu ex. marido, ela ficou paraplégica por conta da violência sofrida (1983). Após muita luta o seu agressor foi condenado em outubro de 2002, apenas seis meses para que o crime fosse prescrito. O homem cumpriu parte da pena e foi solto em 2004. Em 7 de agosto de 2006 foi sancionada a lei que recebe seu nome: Lei Maria da Penha. A lei possui importante papel no cenário social brasileiro que é impregnado pela cultura da violência. Maria da Penha é fundadora do Instituto Maria da Penha, uma ONG que pretende diminuir os casos de violência contras as mulheres e também é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará.

http://www.institutomariadapenha.org.br/quem-e-maria-da-penha.html
Maria da Penha
http://www.institutomariadapenha.org.br/quem-e-maria-da-penha.html

Ella Baker (1903–1986): defensora dos direitos civis e dos direitos humanos e foi importante para a organização de diversos movimentos, por mais de 50 anos. Era crítica da profissionalização da liderança política carismática e atuava na organização de base. Era defensora de uma democracia radical, defendendo que os oprimidos possuem capacidade de entender o mundo e falar por si mesmos. É conhecida por suas críticas ao racismo americano, sexismo e ao clarismo dentro dos próprios movimentos sociais. Ela trabalhou com os principais líderes do movimento por direitos civis do século XX e foi mentora de muitos ativistas.

Ella Baker
https://time.com/4633460/mlk-day-ella-baker/

Apresentamos 5 mulheres que mudaram a sua própria realidade e impactaram positivamente na vida de outras pessoas. Poderíamos citar e contar a história de tantas outras, felizmente o movimento feminista tem como protagonistas incontáveis mulheres. Você também pode fazer parte desta luta! A luta contra a desigualdade entre gêneros não deve ser travada apenas por mulheres, a assimetria afeta toda a sociedade. É dever de todo cidadão trabalhar para a obtenção de uma sociedade justa para todos. A luta não acabou! Mulheres merecem estar onde quiserem! Toda construção social pode ser desconstruída e você pode contribuir para isso.

Referência:

Conheça 13 personalidades que marcaram a história de luta das mulheres. Disponível em:<http://sindipetro.org/2018/03/08/conheca-13-personalidades-que-marcaram-historia-de-luta-das-mulheres/>. Acesso em: 28 de setembro de 2019.